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01
Sep

História do Gelato no Mundo – Parte 2

O leite entra na receita

Segundo a Grande Enciclopedia Illustrata della Gastronomia (Selezione dal Reader’s Digest, Milão, 2000), até meados do século 16, o sorvete continuava a ser preparado com água, ou seja, sem leite ou ovos. Só um século mais tarde, em 1671, na Inglaterra, o leite ou seu creme, ovos e aromatizantes foram incorporados ao sorvete pelo francês DeMirco, pâtissier do rei Carlos II que, diante de uma novidade tão espetacular, tornou ilegal o consumo da iguaria fora da corte real e, dizem, para se garantir, até morrer, em 1685, pagou royalties ao chef pela criação, para que esta fosse exclusividade da sua mesa.

Não se sabe ao certo se o chef DeMirco cumpriu sua palavra, mas, morto o rei, o segredo não durou muito. Um ano depois, 1686, o siciliano Francesco Procópio dei Coltelli inaugurava, em Paris, o Café Le Procope, a primeira cafeteria e sorveteria da cidade (que funciona até hoje), tornando o sorvete uma delícia acessível a todos que quisessem e pudessem pagar por ela. A casa oferecia 80 variedades, produzidas com uma máquina inventada por Procópio, que homogeneizava os ingredientes gerando um sorvete muito similar ao que conhecemos hoje.

A primeira sorveteria da Inglaterra foi aberta em 1757, na  Berkeley Square, Londres, pelo chef-pâtissier italiano Domenico Negri, com o nome de Pot & Pine Apple.

Em 1768, é publicada na França “A Arte de se Fazer Sobremesas Geladas”, (L´art de bien faire les glaces d´office) . Primeira publicação no Ocidente que revelava receitas e explicações teológicas e filosóficas para o fenômeno do congelamento da água e fabricação de sorvetes. Os árabes num de seus tratados antológicos de cozinha, escrito no século 11, por Wusla Hila al Habib, já dedicava uma seção inteira ao sorvete.

A delícia gelada cruza o Atlântico

O sorvete chegou aos Estados Unidos em 1770, levado pelo italiano Giovanni Bosio, e conquistou o paladar dos norte-americanos rapidamente. Lá, a história dos sorvetes ganhou importantes capítulos e o país se transformou no principal produtor e maior consumidor desta iguaria no mundo.

Em 1846, a norte-americana Nancy Johnson inventou um congelador que funcionava com uma manivela que, quando girada manualmente, agitava uma mistura de vários ingredientes. Na parte de baixo, havia uma camada de sal e gelo, que a congelava. Era a precursora das primeiras máquinas industriais de sorvete.

Dois momentos marcaram o desenvolvimento do sorvete nos Estados Unidos e, conseqüentemente, no mundo: o primeiro em 1851, quando o leiteiro chamado Jacob Fussel, para aproveitar o excedente de sua produção de leite, abre em Baltimore a primeira fábrica de sorvetes, produzindo em maior escala e sendo, também, seguido por outros em Washington, Boston e New York; e o segundo, com a invenção, entre 1870 e 1900, da refrigeração mecânica, permitindo a produção de gelo independente do processo natural. É nesse momento, que o sorvete ganha mais espaço na sociedade, passando de um alimento proibido a uma sobremesa comum, presente em nosso cotidiano.

Foram sorveteiros norte-americanos que, no fim do século 19, criaram três receitas, o sundae, a banana split e o ice cream soda, que fazem sucesso até hoje e são ícones da cultura do país. Em 1904, durante a Feira Mundial de St. Louis, outro acontecimento inusitado resultou na invenção da casquinha. Um sorveteiro, vendo esgotar-se o estoque de pratos, resolveu servir seu produto nos waffles do estande vizinho.

Já o picolé foi inventado em 1905, na Itália, por um menino de 11 anos chamado Frank Epperson, que esqueceu no quintal um copo de refresco com uma colher dentro durante uma noite de inverno. De manhã, ele notou que a bebida e a colher haviam congelado juntas. Em 1920, um fabricante de Ohio, Harry Burt, pôs a venda o primeiro picolé dos Estados Unidos. No mesmo ano, Christian Kent Nelson lança o Eskimo Pie, o primeiro picolé recoberto de chocolate norte-americano.

Em 1938, J. F. McCullough e seu filho Alex McCullough inventaram um tipo de sorvete mais leve. Eles descobriram que misturando os ingredientes antes do congelamento, o sorvete ficaria muito mais leve e saboroso.

Fonte: http://correiogourmand.com.br/ Virgínia Brandão

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